Chavões:
- É muito importante uma pessoa ser sincera e honesta
- Gosto muito de pessoas directas
- É tão refrescante alguém que realmente diz o que sente e acha
- A verdade é importantissima para uma relação de amor, amizade, trabalho
TUDO MENTIRA!!!!
O que realmente é verdade é que a "verdade" incomoda, magoa, repele, afasta, queima, sendo um inibidor social ao invés de ser lubrificante...
Se ao inicio quando começamos a conhecer alguém e esse alguém é realmente sincero, honesto e directo, pensa-se "Que bom, que refrescante, que rica maneira de encarar a vida, há poucas pessoas assim". Mas depois o efeito novidade passa, e o constante dizer da verdade irrita e muito, começando invariavelmente a aparecer as "little white lies". As pessoas começam a ter medo da reacção da outra, a não perguntar coisas pois sabem e verdade e nao a querem ouvir pois não gostam dela.
Quando alguém nos pergunta "Então, tá tudo bem contigo?", já sabem o que querem ouvir e é algo tipo "Sim, tudo, e contigo?". Ai jesus (cá estou eu a invocar o nome do mister em vão) se respondemos algo do género "Não, por acaso tá tudo uma bela merda." Neste segundo caso se a pessoa for amiga pergunta o que se passa, caso contrário fica incomodada pois estava só a fazer conversa de interludio.
Mas, à medida que vamos dizendo a verdade e suas ramificações mesmo os amigos começam a ficar incomodados, com pena, e invariavelmente (2a vez que uso esta palavra gira) a não querer ouvir mais. Ou seja acaba também por ser um filtro de amizade e amor, onde a rede é muito fechada e quase ninguém passa.
Estamos numa sociedade onde queremos ouvir e dizer coisas bonitas e raramente se deseja lidar com as verdades. Todos preferem a ilusão da felicidade inexistente à realidade da luta para atingir essa dita felicidade.
Coitados daqueles que como eu nao sabem, por mais que tentem, viver sem ser directos e sinceros sobretudo com as pessoas de quem mais gostam ou menos gostam (é curioso como acabamos por lidar de forma semelhante com estes 2 opostos). Há sempre uma expectativa ansiosa que vemos nos olhos dos outros quando abrimos a boa, que é um misto de "o que é que este maluco vai dizer agora? no sentido engraçado da coisa" e "o que é que este maluco vai dizer agora? no sentido de que vamos estragar algo da coisa".
Poucas as pessoas aguentam o tratamento da "verdade" de forma sistemática e contínua, e essas pessoas valem ouro. Há muito mais a perder do que a ganhar com esta estranha forma de ser.
É esta a minha cruz, mas ao menos no final do dia sei que disse o que sentia e sei que quem importa sabe com o que pode contar de mim (mas invariavelmente (3ª vez...) não sabem nem um terço do que seria capaz de fazer por elas).
Obrigado aos meus verdadeiros amigos por me aturarem, e aos meus amores (pessoas no sentido mais alto do que só amizade, homens ou mulheres) por me amarem, sabendo que sou como sou e indo pra velho um pouco mais sensato, mas também um pouco com menos paciência para aturar as "little white lies".
No meio de tanta merda, sou feliz pois acabo por saber e dar valor às pequenas coisas da vida.
Só gostava é que a puta da vida fosse um pouco mais fácil. A cena de que o que mais custa dá mais gozo e é mais importante é outra das mentirinhas da vida que contamos sobretudo a nós próprios.