segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A bué quilómetros de distância...


... aqui fica o nosso bué triplo "miau"
com algumas coisas "cá da terra" para ti! :)

domingo, 30 de setembro de 2007

macaco gosta de banana e eu gosto de ti


Apenas por que somos um blog chic, in, moderno, sei lá, quiçá muito bem...

«This one goes out...»


«... to the one I love!» ;)

«Where is my mind?»


Odeio estupidificar com a TV.

Vegetar em frente a jogos de futebol cujo resultado não me agrada, filmes de qualidade no mínimo duvidosa e os restantes programas que me aborrecem.

Contudo, é cada vez mais isso que acontece quando acendo a televisão.

É um facto que distrai. Mas não é menos verdade que o que de positivo se extrai daquele conjunto de componentes electrónicos é cada vez mais raro.

E, por alguma razão que me transcende, dou por mim a dispender cada vez mais tempo em frente da caixa que embruteceu o mundo...

Tenho vontade de apagar a TV e fazer qualquer coisa produtiva.

Mas o marasmo instala-se rapidamente, sobretudo se a Divina Trindade (maço de cigarros, cinzeiro e copo de whisky) estiver mesmo «à mão de semear» e sucumbo aos 24 fotogramas por segundo por uma imensidão de tempo que podia perfeitamente ser passado a fazer algo de útil.

A lista de coisas que tenho para fazer nunca mais acaba. Mas também nunca mais começa, não só por culpa da televisão, mas em grande parte por causa daquele aparelho que se apodera da nossa alma enquanto o Diabo esfrega um olho. Numa perspectiva de «here we are now, entertain us»...

Longe vão os tempos em que não perdia tempo a exercitar-me no controlo remoto e em que era bem mais feliz...

O meu tempo é tão melhor aproveitado quando ponho a "Radar" no on, a TV no off e ligo o computador. Quer dizer, quase sempre...

Hoje, por exemplo, estive de volta do Linux mais um bocado.

Sinceramente, aquilo começa a fazer-me sentir um dinossauro, sem pachorra para "rpm"s e "apt-get"s e uma data de instruções dadas em linha de comando, versus o tão prático e quotidiano "duplo-clique".

Se é suposto aquilo substituir o famigerado Windows (e eu sou o 1º a alinhar numa qualquer Cruzada contra a Microsoft), não seria igualmente suposto ser tão ou mais simples de usar?!?!?!?!?!...

Seja qual for a distribuição ("Fedora", "Ubuntu", "Xubuntu", "Kubuntu", ou "O-Caralhunto-Que-O-Foduntu") tentar instalar ou desinstalar programas, que é das operações mais essenciais para quem usa / configura um computador, facilmente desmotiva qualquer um! Já para não falar da aventura que é instalar hardware que não é automaticamente reconhecido pelo sistema operativo...

Fo**-**!!! Sinto-me um perfeito imbecil, embaraçosamente ultrapassado por uma máquina que de inteligente não tem nada, mas que insiste em levar-me a melhor de cada vez que acho que vou (finalmente) conseguir fazer o que quero.

E o resultado está à vista: mais 3 horas passadas em frente à TV para não pensar mais naquela porra, depois de uma data de tempo de tentativas frustradas...

Eu sei que sou teimoso o suficiente para continuar a marrar com o Linux até conseguir pôr aquela bodega a funcionar em condições, mas também graças à "Caixa de Pandora com circuitos integrados", acho que ainda vai demorar mais do que eu pensava.

Fica aqui o protesto, contra a pouco intuitiva utilização do Linux e a demasiado user friendly utilização do controlo remoto da TV, enquanto chove cats and dogs lá fora e Pixies cá dentro de casa e eu adio a minha inevitável ida para a cama.

Que é como quem diz, enquanto ponho o dia de amanhã, a véspera da sempre trágica Segunda-Feira, on hold... :(

«With your feet on the air and your head on the ground,
try this trick and spin it, yeah!
Your head will collapse and there's nothing in it
and you'll ask yourself:
"Where is my mind?"
"Where is my mind?"
"Wheeeeeere is my mind?"

(...)
Uh-uuuuuh!...»


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Que se foda o Peter Pan

Que se foda o Peter Pan!

Hoje em dia somos quase todos Peter Pan's. Tal como este cartaz do filme (onde o protagonista é desempenhado por uma mulher) somo todos meio abichanados. Sofremos do sindroma de criança, de querermos ser jovens, parecer jovens e comportarmo-nos como jovens.

Que sentido faz aos 30 e muitos fazermos idiotices dos 18 anos? Que sentido faz preocuparmo-nos mais com o espelho do que com a mesa? Que sentido faz nao querer responsabilidades e mesmo assim reclamar que o salario é baixo? Que sentido faz querermos ver as series do antigamente e jogar os joguinhos de computador?

Sinceramente se apanhar o Peter Pan por aí sei que vou ver um gajo de meia idade, bebedo, pedofilo, solitário, onde a maior dose de gozo deriva de ver um filme semi-porno a comer um super menu mac a beber uma litrosa de casal da eira branco fresquinho.

Por mim vou-me tornar num homem rude do campo. Ao menos ganho um aspecto masculo que nao tenho, nao penso muito na vida logo nao me preocupo muito, e nao me importo com os abdominais salientes pra frente e pros lados, tenho uma horde de putos e nem tenho tempo para pensar em mim.

Este post está um nojo, mas também isso nao interessa nada.

A única coisa que interessa é que se não pararmos de olhar para trás e de pensar no que está para a frente, nunca iremos ver verdadeiramente o que podemos ter agora.

Como diz o outro, que neste caso sou eu, nem sei o que dizer...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Viagens transatlânticas para turistas - I



Dia 8 – Segunda-feira, 24/Set/2007

A Cristina acorda antes de mim e, pouco antes da aterragem, vê que os putos do casal que viajava à nossa frente estão a dormir deitados no corredor do avião. Quando uma das hospedeiras tenta passar, há novo momento de elevação espiritual a bordo: a mãezinha indignada diz-lhe para ter cuidado, porque «there's stuff in the way»! 'Tá visto que aquelas 2 almas foram feitas uma p'rá outra...
A chegada a Londres, inicialmente prevista para as 06h acaba por só acontecer às 09h10, mesmo tendo o avião demorado menos uma hora de caminho face ao que era previsto.
Antes de sair do avião e porque somos dos últimos a desembarcar, entretenho-me a arrebanhar dois cobertores daqueles que eles vendem aos passageiros, para ocasiões futuras e para exercitar o meu lado cleptomaníaco, perante o olhar novamente esbugalhado da minha mulher e condescendente das hospedeiras. Foi mais forte que eu...
A Cristina, com uma reunião marcada para as 11h em Milton Keynes, está completamente desesperada e com a certeza de que nem vai chegar a horas à reunião, nem vamos ter tempo sequer para nos despedirmos com calma.
Recolhemos a bagagem de porão e separamo-nos à pressa.
Ela apanha o comboio para Milton Keynes. Eu fico no aeroporto a fazer tempo para apanhar o vôo de regresso a Lisboa. Atiro-me a um café com leite que redefiniu o sentido da palavra “amargo”, enquanto fumo dois cigarros à porta do aeroporto para matar o vício do vôo anterior e amortecer o impacto do seguinte.
Chove, mas o céu clareia ao fim de um bocadinho.
Vou sentar-me dentro do aeroporto, renunciando voluntariamente a fumar até à hora do embarque, porque mal me aguentava de pé. Não demorou muito a arrepender-me de não poder fumar, mas lá me resignei: os procedimentos para tornar a entrar desencorajam qualquer um.
Em Londres tive de deixar um dos isqueiros, no controlo da segurança. E, ironia das ironias, já no caminho para o avião pude ouvir os alarmes de incêndio do aeroporto, na ala por onde circulava (que não é nada curta, porque dá acesso a uma porrada de salas de embarque) a tocar alto e bom som, mas sem que por isso tivesse havido evacuação daquela ala, atrasos ou acessos bloqueados... Viva a descontracção dos “donos do fogo”.
O avião para Lisboa saiu mais ou menos a horas e nem teve percalços dignos de registo. Poderia ter sido um tédio, não fosse ser isso mesmo o que eu queria - paz e sossego dentro de um avião, para variar. Deu para escrever a maior parte destas baboseiras.
Já ao final de um dia agitado de reuniões, preparativos para o trabalho dos dias atarefados que se seguem e viagens de comboio para a frente e para trás entre Londres e Milton Keynes e, mesmo para acabar em beleza, o carro da Cristina decidiu que tinha de demorar 5 minutos a reconhecer o controlo remoto, para desligar o alarme e abrir as portas.
O dia nunca mais acaba. Estamos os dois exaustos, em países diferentes.
Foram 7 dias a dormir muito pouco, muito à pressa, a andar que nem uns loucos, a comer mal, rodeados de barulho (e trânsito nos últimos dias), com um jet-lag particularmente nefasto no regresso à Europa.
Mas valeu a pena.
O absurdo que foi tomarmos banho de cócoras nos primeiros 2 dias em N. I..
A noite com o Charles Kelly.
As Cataratas do Niagara,
Os Rápidos do rio Niagara.
A cara da Cristina, enquanto eu comentava as rezas dos Amish.
Os episódios todos no mínimo peculiares que vivemos ou presenciámos.
E por que não, até as dores descomunais nos nossos pés, fizeram a viagem valer a pena.
Já para não falar de outras coisas que não vou aqui relatar, porque são demasiado privadas, demasiado nossas (e nem sequer estou a falar de cenas hardcore).
Agora, estamos de regresso à tranquilidade(?) do lar.
Eu estou a pôr roupa a lavar / estender enquanto escrevo. Seria o orgulho da minha mulher da pachorra infinita, não fosse eu estar a usar o programa mais rápido da máquina, que ela tanto abomina.
A Cristina está bem pior que eu: ainda vai a meio do dia dela, para começar novamente cedo amanhã, desta vez na casa “nova” em Londres e seguir para uma jornada de 3 dias de trabalho em Cambridge.
Não sei bem como / se conseguiremos acordar amanhã.
Qualquer dia ganhamos coragem e embarcamos noutra viagem parecida.
Cá estaremos para a ir relatando. Talvez sirva de inspiração (ou aviso) para quem nos lê... :)

Nova Iorque para turistas - VI



Dia 7 – Domingo, 24/Set/2007

O dia começa para não variar cedo. Às 09h20 estamos de novo a conduzir. Falta-nos pouco mais de 400 km para o aeroporto, mas a folga para apanhar o avião não é assim tão grande. O avião sai às 17h30 e devemos estar no aeroporto entre 2 a 3h antes.
A viagem decorre sem imprevistos de maior (leia-se, sem multas por excesso de velocidade), mas com a seca previsível (viajar a uma velocidade tão estupidificante, a um Domingo de manhã, quase sem ninguém na estrada, é das coisas mais perigosas de se fazer, de tão displicente que a nossa condução se torna). Não há palavrões suficientes para descrever o que nos passa pela cabeça nestas alturas.
E pela 1ª vez desde que ganhei medo a andar de avião, dou por mim a hesitar bastante entre tornar a percorrer este tipo de distância de carro ou num avião, numa futura visita aos Estados Unidos do Absurdo...
Passamos por Moscovo, mas não entramos. Fica para a próxima...
A chegar a N. I., passamos por Newark e por Nova Jersey. Dois subúrbios com aspecto disso mesmo. Ruas e prédios velhos, mal organizados paisagisticamente e com montes de postes de alta tensão a fazer sombra e poluição visual.
Perto das 13h “já” só estamos a 60 km do aeroporto, ou seja, à entrada de N. I., vindos no Norte. Mas só 3 horas depois (sem paragens) é que conseguimos chegar ao aeroporto.
Não entendemos porquê, mas ficámos a achar que todos os carros do mundo estavam a entrar em N. I. àquela hora e por aqueles mesmos acessos.
Para onde quer que olhássemos havia carros. Muitos carros. Muito parados e muito engarrafados. A tentar entrar em túneis muito velhos (passámos por dois: o de Lincoln e o de Queens), sem qualquer mecanismo de ventilação ou saídas de emergência visíveis, com duas faixas de rodagem apertadas e sem qualquer berma ou acesso de emergência, apesar de cada um deles ter vários quilómetros de extensão. Percebe-se bem que são obras bastante antigas, mas pouco coerentes com a realidade actual, em termos de segurança.
É só mais dos vários contra-sensos que trazemos na memória.
Fazemos o caminho todo de carro com GPS, isto é, nem sequer perdemos muito tempo a tentar descobrir o caminho. E mesmo assim chegámos ao aeroporto já uma hora depois daquela a que deveríamos ter chegado, por uma questão de tranquilidade mental, à conta dos engarrafamentos.
Boas(?) notícias: o nosso vôo atrasou-se 2h30, tem saída prevista para as 20h. Temos tempo para descomprimir do stress do trânsito e para comer algo decente pela 1ª vez numa semana.
É esmagadora a sensação de alívio que se tem ao comer um pedaço de fruta ou salada fresca pela 1ª vez numa série de dias, depois de passarmos o tempo a comer autênticas porcarias – se dissermos que a comida mais “saudável” que estes poços de contradições que banem o tabaco de todo o lado e a velocidade das auto-estradas comem com regularidade são fatias de pizza, acompanhadas de copos com um litro de capacidade de «Pepsi» e rematadas com chávenas imensas de café, se calhar ninguém acredita, mas nós estivemos lá para ver, para comer e para saber que infelizmente é verdade).
Passamos por uma série de avisos no controlo de segurança antes do embarque, em tabuletas ou nos balcões, com letras garrafais a dizer que não podemos levar connosco quaisquer objectos que produzam fogo (armas de fogo, fósforos ou isqueiros). No entanto, embarco com dois isqueiros: um dentro da mala que passa no aparelho de raio-X e outro na mão, que mostro ao segurança que me revista. Viva os contra-sensos.
Já na sala de embarque temos tempo para apreciar um carregamento de Amish a embarcar num avião para Tel Aviv. Antes do embarque do vôo deles, pelas 18h30, está uma carrada de malta daquela, todos vestidos de fato preto e camisa branca, com chapéu preto, agarrados à Tora, voltados para Meca, a sacudir-se para trás e para a frente, num exercício colectivo que suplanta em muito as sessões de tai-chi que os chineses fazem em grupo.
É digno de se ver. O efeito das madeixas de caracóis que saem de baixo dos chapéus, a esvoaçar naquele movimento pendular frenético é no mínimo impressionante. Aproximo-me deles para observar mais de perto, fingindo que vou ver o o jogo de futebol (americano) que passa num plasma ali ao pé. Rezam em voz alta. Aquilo deve dar cabo das costas e dos olhos, tanta leitura no meio de tanta oscilação...
Eu não percebo coisíssima nenhuma de religião. E também por isso mesmo e, pelo inesperado destas manifestações de fé e religiosidade, não consigo evitar escandalizar a Cristina com os comentários mais absurdos que me ocorrem, sobre o que estamos a ver - ela fica tão gira, quando incrédula abre muito os olhos, perante as barbaridades que sou capaz de dizer, sem perceber que proporção daqueles disparates é realmente o que penso e quanto é perfeito exagero, só para a arreliar.
E temos tempo também para pasmar outra vez.
Na sala de embarque há uma poça de urina, presumivelmente com origem numa criancinha dos seus 3-4 anos, que lá está acompanhada pelo paizinho e pelo irmãozinho, mal ensopada com dois lenços de papel e, que apesar das queixas da Cristina no balcão do embarque, durante as quase 2 horas que lá passámos nunca foi limpa. Tal como as casas-de-banho, que não primavam pelo asseio. A empregada da limpeza também devia ser Amish e estar a caminho de Tel Aviv, com certeza...
Começamos finalmente a entrar no avião às 19h50. O embarque demora uma eternidade.
Desde que o avião se começa a mexer até que levanta vôo passa outra eternidade: para aí mais 30 minutos de seca, desta vez já dentro do avião, à espera de autorização para se fazer à pista.
Saímos de N. I. às 21h, sentados atrás de um casal que viaja com 3 crianças (uma delas recém-nascida) e cujo elemento masculino se volta para trás com ar incomodado, quando começo a usar 2 latas de «Pringles» para fazer batuque. É curioso como as pessoas se habituam à barulheira das crianças que levam ao colo, às costas e quase dentro das orelhas, mas um pormenor inesperado provoca reacções tão extemporâneas.
Numa atitude infanto-reaccionária e em sinal de protesto, torno a fazer batuque, desta vez sem olhares ameaçadores.
Depois de meia-hora de vôo, a turbulência dentro do avião dá para amaciar bifes sem martelo. Meto o 2º calmante no bucho enquanto o Comandante anuncia que não há motivo para alarme, o avião aguenta aquilo e muito mais, afinal «this thing is built like a tank». Linguagem técnica, própria para momentos de crise...
Dormimos pouco e desconfortáveis.

Cataratas do Niagara para turistas - I



Dia 6 – Sábado, 23/Set/2007

Saímos de manhã do hotel em busca de natureza e quedas de água.
Encontrámos um autêntico circo montado em torno das famosas Cataratas.
Bares com música muito rasca e muito alta, um sem número de casas de diversões (a casa dos horrores; o museu de cera das celebridades de Hollywood; o museu dos criminosos mais famosos; a mansão do Frankenstein; o castelo do Drácula; o museu da Marvel; a roda gigante; a torre do King-Kong; salões de jogos electrónicos) – há barulho e luzinhas a piscar de todos os feitios e para todos os (des)gostos!
As principais cadeias de hotéis estão lá implantadas (Marriott; Hilton; Sheraton), há casinos (DOIS!) e cadeias de restaurantes (McDonald's; Planet Hollywood; Hard Rock Café) em quantidade e concentração suficiente para fazer inveja a Las Vegas ou a Benidorm no pico do Verão.
Gente de todos os cantos do Mundo. Barulhentos. Desorganizados. Para parecer ainda mais a "Ovibeja" só faltou mesmo a barraca das farturas. Ou talvez não a tenhamos procurado o suficiente...
No meio de tanto alarido, as Cataratas quase são remetidas para um plano secundário.
Fizemos a viagem de barco à base das Cataratas («Maid of the Mist») com uns impermeáveis azuis e a visita aos túneis por trás da queda de água do lado canadiano («Horseshoe»), agora com impermeáveis amarelos. Vimos os Rápidos do rio Niagara um pouco mais abaixo (para esta visita não nos dão impermeáveis).
Entrámos num cinema «IMAX» para ver um filme completamente incompleto sobre as Cataratas. À saída, há um mini-museu (esse sim, a valer a pena a visita) onde são relatadas as tentativas feitas por alguns destemidos e alguns insconscientes ao longo dos anos para sobreviver às quedas de água e à passagem pelos Rápidos (de categoria 6 – esta classificação para Rápidos significa que quem lá entra está certamente arriscar a vida) dentro de barcos improvisados, barris, ou antigas minas da Marinha.
Jantamos uma pizza monstruosa (supostamente uma dose individual...), que dividimos entre os dois e ainda sobra um terço que pedimos para embrulhar, para o almoço do dia seguinte. Os altifalantes do restaurante gritam a plenos pulmões uma cover espanhola de «I will survive» da Gloria Gaynour, que a faria dar muitas voltas no caixão...
Subimos à torre mais alta lá do sítio («Skylon») para ter a vista panorâmica da cidade. Estamos rodeados de néon por todos os lados. Fugimos de todas as restantes atracções turísticas.
E menos de 24 horas depois da nossa chegada ao Canadá estávamos a caminho de volta a Nova Iorque para devolver o carro e apanhar o avião para Londres, com poucas saudades da maior parte das coisas que lá tínhamos visto.
O dia acabou perto da 01h, num motel já em terras americanas, em que conseguimos alojamento por um preço razoável e ainda por cima, num quarto para fumadores (afinal, ainda há esperança para aquele povo com medo dos comunistas e dos cigarros).
Mas ainda estamos a 430 km de N. I..
Desta vez havia internet, mas cada vez tínhamos menos energia para "internetar"...

Nova Iorque para turistas - V



Dia 5 – Sexta-feira, 22/Set/2007

Saímos do hotel uma hora depois do previsto. Temos de ir ao aeroporto buscar um carro que alugámos, para irmos às Cataratas do Niagara. Começamos por apanhar o Metro errado e temos de trocar. Uma hora depois de entrarmos no Metro, estamos de volta à estação onde entrámos, mas desta vez no comboio certo. Que demora mais uma hora a pôr-nos no aeroporto...
De carro voltamos a passar pela zona de onde tínhamos saído. Isto é, ao fim de 3 horas na rua, estamos de volta ao ponto de partida, mas desta vez de carro e a caminho do Canadá.
A passagem pela 1ª portagem é digna de registo!
Não temos dinheiro vivo e só se paga com cash ou com um identificador estilo “ViaVerde”. O Cartão de Crédito, considerado um bem de 1ª necessidade nos E. U. A., ali é visto como uma modernice subversiva dos comunistas...
Os portageiros compadecem-se da nossa ingenuidade e deixam-nos fazer inversão de marcha em plena praça de portagens, para irmos levantar carcanhol a uma caixa MultiBanco.
Seguimos viagem, com mais dinheiro a bordo que o "Fort Knox", não fossem as portagens seguintes serem iguais.
As auto-estradas americanas são uma experiência única. Não são melhores que as nossas em termos de pavimento, traçado ou sinalização. Não têm tantas estações de serviço. Mas são ainda assim mais baratas em termos de portagens. Em compensação, são infinitamente mais chatas de se fazer. O limite máximo de velocidade que encontrámos durante esta viagem de cerca de 1.400 km foi 65 mph – sensivelmente 120 km/h. Cerca de um terço do trajecto é feito em zonas em que o limite de velocidade varia entre as 45 mph (em zonas de obras) e as 55 mph (100 km/h, em números redondos).
Os carros têm transmissão automática – um atrofio para conseguir acelerar e um exagero para gastar gasolina. Mas conduzir com cruise control dá um jeitaço bestial para descansar o pé direito, nestas viagens que nunca mais têm fim à vista.
Com duas paragens rápidas pelo caminho para comer qualquer coisa, demorámos cerca de 11 horas até ao Canadá (para fazer 700 km).
E apanhámos uma multa por excesso de velocidade no caminho. A cerca de 35 milhas do destino, quando seguíamos num grupo de 3 ou 4 condutores inconscientes, circulando todos sensivelmente a 80 mph (140 km/h em medida de gente), apareceu-nos a meio da noite um carro da Polícia, que na melhor tradição hollywoodesca saíu do seu esconderijo estratégico na berma da estrada, para acender as sirenes atrás de nós e nos mandar parar, para nos presentear com um speeeding ticket. Seguíamos à infâme velocidade de 81 mph e tivemos o que merecíamos! Na noite do dia seguinte haveríamos de observar o mesmo modus operandi aplicado a 2 outros incautos condutores, que se atreveram a desafiar os limites de velocidade do do Estado de Nova Iorque...
Não sabemos ainda de quanto será a multa. Deram-nos um questionário para preencher e devolver por correio à Polícia do Estado de Nova Iorque. Depis de devolvido o questionário hão-de nos escrever a dizer de quanto é a multa que temos de pagar. Não sei bem porquê, mas palpita-me que este questionário se vai “extraviar” ainda antes de o enviarmos à Polícia...
Chegamos ao Canadá perto da meia-noite.
O hotel é muito rústico e tem montes de charme. O recepcionista faz lembrar o Benny Hill, com um capacho moreno e uma devoção quase religiosa às Cataratas.
Conseguimos uma ligação irregular à internet sem fios no hotel. Mas chegámos demasiado estafados para escrever fosse o que fosse (este texto só seria escrito no avião, entre Londres e Lisboa).

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